A geração que constrói sem ter herdado nada. E o que isso significa para o que vem a seguir.
Em quatro anos, uma capital surgiu do Cerrado por força de intenção pura. Não havia história aqui. Não havia tradição. Havia a decisão de construir. E a coragem de acreditar que valia a pena.
Nossos negócios estão fazendo o mesmo.
Não como fraqueza. Como circunstância. Uma cidade nova, erguida para ser a sede do poder público, naturalmente atraiu quem servia ao poder público. Era o que havia. Era o que fazia sentido.
Mas alguma coisa foi mudando. Sem grande anúncio, sem data de fundação, uma geração de empresários começou a agir como se Brasília pudesse ser outra coisa também. Um mercado real. Um lugar onde negócio privado cresce sem depender de governo, sem precisar olhar pra outro estado pra saber se está no caminho certo.
Somos essa geração.
Não temos tradições de mercado com cem anos de história. Não temos os atalhos que vêm com o tempo acumulado.
São Paulo levou um século e meio para construir o que tem. Nós temos vinte anos.
Mas temos algo que cidades antigas perderam:
"A consciência de que estamos construindo algo que ainda não existe."
Tudo que estamos construindo aqui vai ser o chão de quem vem depois. A próxima geração vai herdar isso: os grupos que formamos, as referências que criamos, os negócios que sobreviveram. Mesmo que a gente não veja isso ainda com clareza.
A primeira geração não tem o luxo de olhar pra trás. Não tem pai que passou o negócio, não tem grupo que atravessou três crises e saiu mais forte. Tem o que tem: a obrigação de descobrir enquanto faz. E a liberdade que vem junto com isso.
Por isso nos recusamos a acreditar que o que importa sempre acontece em outro lugar.
Que a referência está em São Paulo.
Que o evento que vai nos transformar é em outro estado.
Que pra se sentir parte de algo relevante, o empresário de Brasília precisa ir embora.